Respirar ar puro

Mil metros de altitude. Uma paisagem pintalgada de verde, por vezes branca de neve, e onde os penedos são verdadeiras esculturas naturais. Há-as, as mais evidentes, em forma de águia e tartaruga. Figuras vestidas de negro da cabeça aos pés que caminham lentamente, como se a vida fosse eterna. Casario de pedra, algum ainda coberto de colmo. Muita montanha para trilhar, a pé, de preferência. Poucos mas bons locais onde comer bem e pernoitar melhor. É assim Castro Laboreiro, uma aldeia serrana no concelho de Melgaço, ainda muito imberbe no sector do turismo, com tudo de bom e de mau que isso possa ter.
Conhece-a bem quem ama a montanha e o ar puro, que limpa os pulmões e o espírito. E já a viu no cinema quem assistiu ao filme “Viagem ao princípio do mundo”, rodado naquelas paragens por Manoel de Oliveira (1997), com o actor Marcello Mastroianni (no seu último trabalho) no elenco.
Experimente escapar-se para este retiro, no alto da serra, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês, e tente desacelerar o ritmo. Leve um bom par de botas de montanha e comece por procurar alojamento.
O hotel Castrum Villae, recentemente recuperado numa antiga estalagem pelos bombeiros “amarelos” de Santo Tirso, é uma boa opção, não só pelo conforto e simpatia do atendimento, mas também pelas actividades que sugere. Não se espante, por exemplo, se numa noite o bar do hotel for palco de um workshop de pintura ao som de jazz, em que artistas radicados na aldeia incitam adultos e crianças a inspirarem-se perante uma tela gigante e tintas. Também são organizados passeios pedestres e a cavalo por trilhos determinados através das empresas Outside Attitude (www.outsideattitude.com) e Ecotura (www.ecotura.com), ou de uma guia de montanha, que pode ser contactada no local.
Viver Castro Laboreiro ao ar livre deverá ser o programa da sua estadia. Um ponto de interesse: no centro da aldeia, encontra-se o Núcleo Museológico de Castro Laboreiro, num edifício recuperado da antiga fábrica de chocolate Caravelos. Ali é dada a conhecer a história desta terra de Brandas (casas- -abrigo de pastores durante as estações mais quentes) e Iverneiras (para o tempo frio), e assiste-se a uma simulação da típica transumância (migração periódica dos rebanhos entre dois regimes climáticos). O museu integra uma casa típica castreja, totalmente fiel às originais.
Outros locais a visitar são os moinhos e a ponte românica. Ambos representados no núcleo museológico da freguesia, mas onde vale a pena ir pelo próprio pé. Da ponte sob a qual galga em cascata o rio Laboreiro, avistam-se alguns antigos moinhos de pedra. Uma visão divina que se multiplica na aldeia do Rodeiro. Aventure-se também, se o tempo permitir, numa caminhada à Senhora de Numão, local de rara beleza no meio do nada.
Depois de muito caminhar, procure uma boa mesa. No Miradouro do Castelo, pergunte pelo senhor António, homem conhecedor da montanha e da arte de bem receber (foi anfitrião de Oliveira e Mastroianni durante as rodagens). Os vinhos e os enchidos, o arroz de caça, o bacalhau com broa e o queijo de ovelha com mel à sobremesa são imperdíveis. Remate com uma queimada galega e vai ver que regressará do princípio do mundo com vontade de lá voltar.

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