Brasil: Centros históricos são vestígios portugueses

 A presença de Portugal no Brasil deixou marcas em dezenas de cidades, de norte a sul do país, com destaque para os centros históricos, segundo a relação do Instituto do Património Histórico Nacional (IPHAN). Entre os 17 bens naturais e culturais brasileiros considerados Património da Humanidade pela UNESCO, pelo menos sete são de origem portuguesa e serão arrolados pelo programa de inventariação, conservação e reabilitação do património de Portugal no nundo, anunciado na segunda-feira, em Omã, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado. Entre estes contam-se os centros históricos de cidades como Ouro Preto, Diamantina e o Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, todas no Estado de Minas Gerais. A lista inclui ainda os centros históricos das cidades de Olinda, São Salvador, São Luís e Goiás Velho, respectivamente nos estados de Pernambuco, Baía, Maranhão e Goiás. Criado em 1937 e responsável pela preservação do património histórico, o IPHAN tem mais de 20 mil edifícios e 83 centros e conjuntos urbanos cadastrados, muitos deles de origem portuguesa. Na China continental, a mais conhecida marca da influência portuguesa é o Antigo Observatório Astronómico de Pequim, mesmo no centro da capital chinesa. No início do Século XVII, os padres jesuítas do Padroado Português do Oriente, vindos de Macau, prestavam serviço na corte da dinastia Qing e conseguiram impressionar o imperador de tal forma que Ferdinand Verbiest, um missionário belga, recebeu a missão de fundar, em 1699 o primeiro observatório moderno do Império do Meio. Em Macau, o património arquitectónico ligado a Portugal inclui as Ruínas de São Paulo, o Farol da Guia, igrejas, fortes ou outros espaços como o do actual Instituto dos Assuntos Cívicos e Municipais (o antigo Leal Senado), classificado em 2005 Património da Humanidade. Num território sem problema financeiros e a querer afirmar a sua diferença perante a China continental, a preservação do património ocidental, fruto de 450 anos de presença potuguesa, é uma das principais vias para o executivo local. Com excepção do antigo Hospital de São Rafael, hoje edifício consular, e da Residência da Bela Vista, também designada Residência de Portugal, o Ministério dos Negócios Estangeiros português não deverá ter de investir qualquer verba na preservação do patrinónio de matriz portuguesa, que a China exigiu ser ela a propor à UNESCO como da Humanidade. Mais do que preservar, Portugal tem, relativamente a Macau, que estar preocupado com a arquitectura da cidade para que o património mundial não fique «afogado» entre fileiras de prédios. No que respeita a Timor-Leste, o incêndio de Lifau, no enclave de Oécussi, em 1702, quando a capital foi transferida para Díli, e a destruição de Díli pelos japoneses na II Guerra Mundial ajudam a explicar a escassez do património deixado pelos portugueses. A excepção mais notória é a Intendência Militar, um edifício seiscentista, em quadrilátero, que domina a baía de Díli e que é referido como a construção mais antiga da cidade. A Intendência, que era ao mesmo tempo quartel e alfândega, foi usada como Comando Militar durante a ocupação indonésia, passando recentemente da Caixa Geral de Depósitos, que tinha um projecto de centro cultural, para a Comissão Europeia. A sede da CGD/Banco Nacional Ultramarino em Díli é referida por arquitectos portugueses como uma jóia da arquitectura modernista, com projecto de Fernando Schiappa, autor do último plano urbanístico da cidade antes de 1975. Da mesma época e valor resta o Edifício ACAIT, onde hoje funciona a Embaixada de Portugal em Díli. Em Timor-Leste existem ainda pequenos fortes portugueses em Baucau e Baguia (leste), em Batugadé (oeste) e em Maubara, este último construído quando a vila era ainda um enclave holandês.

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